Cada um a seu modo (e sem patrulhamentos)

Marcelo em seu perfil no Orkut

foto: orkut

SUGESTÃO DE TRILHA SONORA PARA ESTE POST: My Way (a gravação de Frank Sinatra é a clássica, mas você pode escolher ainda a de Elvis Presley, também fantástica)

Todo mundo gosta de se sentir livre para ser o que é, do jeito que é (ou do jeito que escolhe ser). E eu acho que é assim mesmo que as coisas devem funcionar. Afinal, quem teria direito de exigir que nos comportemos de um modo ou de outro. E olha que tentam… O tempo todo. Aos magros, dizem para engordar. Aos gordos, que emagreçam. Aos calados, que falem mais. Aos falantes, para que se calem um pouco. No caso dos gays, então, o negócio pode ser ainda pior, com o preconceito travestido de “pequenos toques” de amigos ou de estranhos: “não dê tanta bandeira”,”seja mais discreto” e outras sugestões mais ou menos pertinentes (mas que, no fundo e na maioria das vezes, apenas tentam emoldurar com padrões socialmente aceitos, digamos assim, o comportamento gay).

Todos (e os gays em particular) têm razão para se rebelar contra o estabelecimento de “padrões”. Mas e quando o patrulhamento parte dos “iguais”? Uma enquete colocada no ar pelo G Online no dia 18 de fevereiro pergunta se o tal Marcelo do BBB8 está representando bem os gays brasileiros. O que chama a atenção, mais do que um gay ter a “obrigação” de representar alguém, além dele mesmo, é ler algumas das respostas postadas ali. Algumas carregam consigo uma dose enorme de virulência e de violência dignas dos mais temidos perseguidores. Chegam a comentar que, pelo seu “jeito”, ele nem gay seria. Ou que ele, ao contrário de Jean, tem comportamento muito masculinizado.

Alto lá: se quem é um pouco “mais afetado” tem o direito de sê-lo, por que não o tal Marcelo de ser “mais masculinizado”? A pergunta é a mesma no vice-versa, pois a ordem dos fatores não altera o produto: que direito teria um gay “mais masculinizado” de discriminar outro “mais afetado”? A isso eu dou um nome claro: patrulhamento.

Ética, respeito e outras questões que envolvem crenças e comportamentos NÃO estão a serviço de conveniências. Nada do que acredito ser ruim para mim eu posso achar bom para os outros. Deixemos essas hipocrisias com governantes e políticos, que mudam de opinião quando mudam de lado na guerra “situação x oposição”. Ser gay não é uma prova de conhecimentos ou de comportamentos ditados por um manual, criado em unanimidade por seres acima do bem e do mal. Deixem o tal Marcelo ser o que ele é, do jeito que ele é (ou que escolheu ser). Aos que malharam o rapaz por essas questões (outros o julgavam como jogador do BBB8 e por ele “tirar proveito de ser ou de querer parecer gay”, e sobre isso não tenho qualquer opinião), fica meu convite à reflexão: intolerância nos olhos dos outros não é refresco, não.

P.S.: uma reportagem da DOM #2, Riobaldos e Diadorins, quebra, por exemplo, a idéia errada de que gays só podem ser gays no anonimato das metrópoles, vivendo uma vida cosmopolita em baladas sofisticadas. Para eles, a ultra-ofensiva expressão “pão-com-ovo” nada quer dizer. Ou vai dizer que nenhum gay se refere a outro com essa expressão? Mas, quando alguém “de fora” usa, é preconceito… Afinal, atire a primeira pedra quem nunca comeu um pão-com-ovo.

5 Respostas to “Cada um a seu modo (e sem patrulhamentos)”

  1. SUAS PALAVRAS SÃO AS MINHAS PRÓPRIAS PALAVRAS.
    Eu muitas vezes viajo em análises mais frias e penso mesmo que o maior preconceito é muitas vezes emitidos por nós mesmos. Vivemos cobrando algo de alguém que nos é diferente ou diferente do nosso grupo. Aos femininos, pedimos masculinidade; aos masculinos, mais leveza; aos pobres, que sejam chiques; aos ricos, menos esnobes. As pessoas, gays ou heteros, são cheias de qualidades e defeitos, podendo ser equilibrado ou desequilabrada esta relação. ´Gays são seres como outro qualquer e isto é que nos falta noção e ai acho que está o inicio do preconceito.

    ADOREI SEU POST DE ESTRÉIA. E eu fiquei morrendo de vergonha com o elogio via email. OBRIGADISSIMO!

  2. Quero saber um e-mail para contato, aí na redação ou do leitor – sei lá.
    Tb quero uma camisa DOM.

    Parabéns pelo trabalho. Muito boa revista!

    ab

  3. Falou tudo… Me impressiona como o precoceito existe no meio onde deveriamos ser mais unidos… Ou algo mais simples, nos respeitarmos um pouco mais…
    Parabéns pelo post.

    E você Marcos Costa, acho que vc tem uma lingua felina, mas, tem uma personalidade e coragem que poucos tem… E olha que eu te conheço seu peste e sei que você é sincero em tudo que escreve…
    Vai querer advinha de quem é esse comentário… hehehehe

  4. Muito legal o teu post, Jorge… mas na minha opinião tu mesmo caiste na armadilha de querer generalizar e impor um comportamento generalizado ao citar a frase seguinte, referente ao termo pão-com-ovo: “Ou vai dizer que nenhum gay se refere a outro com essa expressão?”

    Aqui no Sudeste essa pode até ser uma expressão comumente usada para denegrir alguns gays, mas no Norte do país essa expressão é desconhecida pela maioria absoluta dos gays. Eu mesmo, que freqüento locais gays e escuto essas expressões a todo momento (e falo também) nem sabia o significado pejorativo do termo Pão-com-ovo. Fiquei sabendo o significado ao ler um texto da revista JUNIOR, mas mesmo assim, não me acrescentou em nada e não passei a adotar o tal termo.

    Grande abraço pra ti e parabéns pelo post.

  5. Muito bom o comentário!!!
    Parabéns.🙂

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