Ervilha

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Reprodução: Corbis

– Você vai fazer uma revista G-A-Y?
– Eu vou. Será jornalismo da melhor qualidade. Qual o problema?
– Sei lá, esquisito. Você nem é gay.
– Eu também não sou ferrarista, e dirigia a revista da Ferrari.
– É, mas era carro, né?
– É, e agora é gente. Mil vezes melhor.
– Vai ter homem pelado, um monte de palavrão, sacanagem?
– Homem pelado você já vê na novela das 8, um monte de palavrão o Faustão já fala no domingo à tarde e sacanagem você vive o tempo todo com o seu chefe. Não, não, fique tranqüilo. A revista será bem melhor do que o que você já está acostumado.

Esse diálogo, com algumas poucas variações de teor, eu travei com várias pessoas quando anunciei a nova etapa da minha carreira: a revista DOM (que acabei definindo como “De Outro Modo” e o pessoal aqui adorou, o que me encheu de orgulho).

Por essas razões que a gente não sabe definir muito bem, em nenhum momento eu me senti “fora do esquema”. Mulher e hétero, tornei-me parte automaticamente e com uma vantagem sobre todos os outros: iria aprender muito mais, visto que agregaria ao meu universo coisas completamente desconhecidas, novos nomes, lugares, gostos, maneiras de ver o mundo e as pessoas.

Minha primeira reunião de pauta por aqui foi, no mínimo, engraçada! Tive que ler e pesquisar muita coisa e ainda assim devo ter falado várias bobagens. Não por burrice, mas por pura ingenuidade, desconhecimento mesmo.“Putz! Sou uma mala! Não estou sugerindo nada que preste, caramba!”. Era tudo novo, não assustador, mas novo. E aquilo me enchia de contentamento: uma chance de fazer meu mundo de ervilha tomar outras proporções, ir muito além.

Ouvia o Jorge (Tarquini, diretor da DOM) dizer que, na época em que dirigia a revista Quatro Rodas, ele não sabia nada de mecânica, mas era o que precisava ser: o melhor jornalista possível. Fui na dele.

Silvetty Montilla? André Almada? Thália Bombinha? Rodrigo Zanardi? Tom of Finland? Quem é essa gente?! Puxa, não conhecia mesmo, nunca tinha ouvido falar. Eu parecia um radar enlouquecido o tempo todo, mesmo que discretamente. Tudo o que ouvia pesquisava no Google, perguntava para as pessoas. Fui atrás de livros, filmes, notícias. Me joguei! E me apaixonei…

Enquanto escrevo este texto, o pessoal da DOM está me ensinando a fazer “carão”! Outra novidade! O Zeh acabou de dizer que pretende ir ao Anzu, em Itu, no final de semana. “Balada ótima!”. Mais um lugar, mais novidade pra mim.

Continuo não sabendo um monte de coisas, ignorando nomes, lugares, pessoas, estilos, “regras”, vocabulários. Mas já posso dizer parte do que aprendi e que julgo essencial: as pessoas não são definidas nem intituladas. Elas são sentidas e respeitadas, por tudo o que são e por tudo o que representam.

Ainda há muito pela frente – e espero mesmo que sempre haja muito, mas uma coisa é fato: meu mundo já não é mais do tamanho de uma ervilha.

Obs.: A editora-chefe desesperada, louca, perturbada à espera de muitas indicações da cena gay (!) estará por aqui todas as quartas-feiras. Aceito todas as dicas de fontes, vocabulário, lugares, etc, etc!

9 Respostas to “Ervilha”

  1. é por essas e outras que a DOM cumpre sua promessa de ser inclusiva: VIVA A DIVERSIDADE!!! Adorei o texto e saber que tem gente tão sensível fazendo a minha revista. Tudo a ver.

  2. é por essas e outras que a DOM cumpre sua promessa de ser inclusiva: VIVA A DIVERSIDADE!!! Adorei o texto e saber que tem gente tão sensível fazendo a minha revista. Tudo a ver.

  3. Pedro Paulo Maia Says:

    realmente o vocabulario gay eh uma coisa mto dificil no começo, nao soh pra um hetero mas tbm para um gay, sao tantas girias que as vezes fica complicado entender. para aprender essas expressoes o unico jeito e conversar com gente dos mais variados segmentos gay.
    ah tenho uma dica assista filmes antigos(bette davis eh otimo) mtos gays tem esses filmes como inspiraçao.

  4. Thaisss, adorei a sinceridade….digna de alguém que entende o nosso mundo sem conhecer muito…..ou seja alguém que sabe respeitar os outros sem distinção!
    Tô besta! rsrs Mas fora isso, vc está no lugar certo pra descobrir tudo o que precisa, e tornar o mundo mais “colorido”…
    Bem vinda!!!! E vai ai um termo de Londrina….
    Nuuuu: Cara belíssimo……..Ou seja olha pra cara de suas amigas quando estiverem paquerando alguém: “olha que cara lindo Thais” e se realmente for responda apenas: NUUUU…. depois me conta a cara delas…hauhaua
    E se o cara não for do seu agrado responda: NOOOO….
    bj

  5. Tais, adoreiiiiiii. a propósito: what’s Carão?????? rsssssss
    Toda semana vou ler seus textos……. beijos. MInha ídola…rsrsrsrs

  6. Tais, adorei seu texto!!! Quanta sinceridade.
    É isso aí amiga, com você não pedras no caminho!
    Boa sorte sempre e sucesso para todos os queridos da DOM
    bjs

  7. Taís, minha querida, parabéns pela revista e pela sinceridade de seu texto. Só mesmo assim é possível crescer profissionalmente. Sou sua fã desde a Eve, que vc dirigiu com extrema competência e talento. O importante é fazer um bom jornalismo e isso você já sabe. No mais, fica a parte gostosa e enriquecedora do aprendizado referente a cada assunto. Por falar nisso, o que é carão?
    Beijocas pra você e pro Jorge. Sou fã dos dois.

  8. Acheiiiiii Taís EEEEEEEEEEEE, era só eu fazer uma busca. Dãnnnn ! Hahahaha. Então falar de um texto seu é complicado né, gosto de todos, e não é puxando o saco não, é por que vc é muitooo querida hahahaha. Parabéns viu mocinha. Bjus

  9. Mas que pessoa querida você é! Agradeço à Deus por ter te conhecido e desejo todo sucesso do mundo pra você meu anjo! Seu fã de carteirinha… Beta guy.

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