Não podemos abaixar a cabeça!

Não é fácil ser gay. Não é fácil lutar pelos nossos direitos. Na teoria, se fala que “todos são iguais”. Não somos iguais e muito menos tratados como iguais. Não precisamos de uma Parada do Orgulho GLBTT que reúne milhões de pessoas na Avenida Paulista se, quando ela acaba, por trás da idéia de ser um evento de luta por nossas causas, todos apenas pensam “a balada acabou”. Não precisamos de gays se beijando nas novelas ou propagandas voltadas diretamente para esse público ou homens e mulheres dizendo que adoram seus amigos gays/lésbicas, se o verdadeiro respeito que procuramos a sociedade não proporciona. Respeito ao ser humano, talvez seja essa a única busca que todos procuram e que não conseguem encontrar.

Esse desabafo eu escrevo, em nome da DOM, para apoiar um caso que está causando indignação nesta semana. Saiu nos principais veículos, blogs e sites que se preocupam com as causas GLBTT. O Marcos Costa, do blog Carioca Virtual, desabafou ao mundo na última segunda-feira o que aconteceu com um casal de amigos seus.

José Ávila e Fábio eram casados, felizes, tinham planos de vida e uma vida a dois como qualquer casal heterossexual. No último dia 29 de fevereiro, Fábio faleceu por aneurisma. No dia seguinte, a família de Fábio expulsou José de sua casa, sem deixá-lo levar absolutamente nada. Em um momento extremamente difícil, José se viu pego pelo preconceito e pela falta de seus direitos.

Automaticamente contratou um escritório de advogados e conseguiu, ao entrar na Justiça, uma liminar para poder entrar na sua casa. Mas, infelizmente, a disputa apenas começou. A liminar é apenas provisória e há chances de ela ser negada novamente.

Por que um homem, que lutou para construir uma história junto com outra pessoa, que comprou coisas com seu companheiro, que montou uma casa com ele, um lar, é negado de ficar com tudo o que os dois construíram juntos em vida, após a morte de seu companheiro? Não éramos todos iguais, independente de raça, sexo ou opção sexual? Hipocrisia. Revolta. Falta de respeito. Ausência de direitos humanos. Direitos como o da separação, de colocar dependentes no convênio médico, no plano de previdência – esses simplesmente são ignorados para os homossexuais.

Marcos Costa não quis ficar quieto, com toda a razão. Começou uma campanha para acabar com essa covardia. Falou com todos seus amigos e então, André Foch, dono da marca FOCH, organizou uma lista de abaixo-assinado na sua rede de lojas de São Paulo e Curitiba e conta com a colaboração de todos que, como eu, se indignaram com essa história.

Diversos veículos aderiram à causa e faço questão de listar os que eu já li até agora: A Capa, Tony Goes, Ítalo, Cerrado Eletrônico, Rehab Your Mind, Mix Brasil, Conceitual, Instrospecthive, Made in Brazil, Zapping News, Pocket A, Todo Mundo, Que Pressão, e outros que agora não me recordo.

Espero contar com a ajuda de todos os nossos leitores e que cada vez mais seja divulgada essa notícia. Não podemos ficar quietos. Só seremos respeitados quando exigirmos para o mundo esse respeito. José Ávila, conte com a gente!

5 Respostas to “Não podemos abaixar a cabeça!”

  1. Laio Realengo Says:

    O abaixo assinado também se encontra na Internet? Interessante é todos assinarmos para que em Brasília seja colocada em pauta e votada a lei da união civil e sejam vistos os direitos que héteros e homos podem ter em comum.
    Mudando de assunto lembro daquela campanha de preservar a floresta Amazônica que quer recolher um milhão de assinaturas para que isto seja discutido também em Brasília. Será que teremos esta força também?

  2. VALEU MENINOS, VCS FORAM O MAXIMO NO TEXTO. SÓ UM PEQUENO DETALHE: a lista nas lojas Foch foi uma ótima idéia do andré Foch, dono da rede e marca, que segui divulgando aos amigos e conhecidos do casal, mesmo aqueles que estiveram pouco com eles.

    MUITO OBRIGADO EM NOME DO ZÉ!

  3. pedro paulo maia Says:

    adoraria assinar esse abaixo. podia disponibiliza-lo na internet.

  4. José Avila Says:

    É muito emocionante observar toda esta mobilização. Talvez o que também aconteça, é que todos de alguma forma, enchergam a possibilidade de isso poder acontecer consigo. E imagino que colocado à público como esta, acaba ficando mais perto de todos nós. E fica sendo um marco para poder gritar! De qualquer forma, agradeço muito todas estas manifestações! Valeu mesmo!

  5. Raul Pauli Says:

    Acho exemplar a atitudes de alguns gays. No caso essa é mais uma que entusiasma os leitores não se deixarem calados diante de injustiças. Quando fizemos isso perdemos a possibilidade de criar um mundo melhor para nós.
    Adoraria assinar este abaixo assinado pela net.

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