Depois que o furor passar…

…depois que a Parada de SP se for e todas as outras paradas desse Brasil acontecerem, o que, impreterivelmente, vai acontecer é que se falará alguns dias do evento sobre uma série de assuntos. Já podemos utilizar o nosso Madame Min premonitor Tabajara senso de previsão:

  • “Bateu outro recorde!”, “Mais de 4 milhões na Paulista!” ou “Quanta gente, não conseguia andar!”. Ou os mais maldosos: “Quanta gente feia!”.
  • “Teve crime”, “Roubaram o [insira um acessório] do [insira pessoa com qualquer grau de relacionamento com você]”, “Mataram [insira alguém]”. Ou os mais maldosos: “Só tinha puta, viado, ladrão e traficante! Tudo do mesmo saco!”
  • “Vi travestis mijando na rua”, “Tinha um pessoal [insira verbo que combine com o tipo de droga que vem a seguir][nome da droga] nos banheiros químicos!”, “Você viu aquele(s) casal(-ais) trepando em plena rua?”. Ou os mais maldosos: “Só tem pintosa e drag-queen nessa merda!”.
  • “Ah, as Paradas um dia foram boas!”, “Tinha espaço na Paulista até pra dançar”. As maldosas: “Carnaval de pobre!”.
  • “Quanto gringo!”, “Quanto gringo pra beijar!”. Maldosas: “Só povo chique perdido pra gente ensinar a falar ‘Vamos gozar?’, néam?”.
  • Novo provável assunto: “As festas que a [insira boate] fez roubaram a cena da Parada”, “As bonitas foram todas pra Pool Party!”. Os maldosos: “Parada só serve pra ter vááááárias festas boas na mesma semana. Que tudo!”.

E depois de alguns dias, os assuntos voltam a ser aqueles:

  • “Madonna vem ao Brasil!”
  • “Bebi horrores, bil!”, “Cheirei horrores, bi!”, “Beijei horrores”, “Trepei horrores!”
  • “Adoro [escolha entre sauna, festa do cabide, banheirão, cinemão, clube de orgia, etc.]
  • “Sem se drogar, não existe balada, sua careta!”

A pergunta que fica: vai ter outro assunto além desse?

Eu bem que queria.

10 Respostas to “Depois que o furor passar…”

  1. Laio Realengo Says:

    Por isso que temos jornalistas competentes como os da DOM. Para nos mostrar além daquilo que já é previsto.

    Obrigado!

  2. Ui pegou pesado. Mas é verdade.

  3. RARARRARARRARARRRARAR

    Mto bom este post!!

    Nos assuntos que vêm depois só faltou um:
    “Nossa, vc viu o bafón da [nsira sua cantora favorita – Amy/Britney/Lindsay] que foi pega se drogando de novo? Luuuxxoo!”

    E depois as amigas héteros ainda acham que homem bem vestido/inteligente só pode ser viado.

    Ahan.

  4. pedro paulo maia Says:

    realmente vai acontecer isso, mas espero mudança, fazer oq esperança eh oq nos resta.

  5. Jonathan Says:

    Espero realmente q mude, tá dificil mas vai mudar com certeza

  6. Não mudou em anos, você acha que vai mudar agora ??? Ano passado foi
    a pior de todas, assaltos, muita gente, empurra-empurra, brigas, muitas drogas, cheiro de urina nas ruas, um horror…

  7. O pior é que tá na cara de todos, mas parece que só a gente vê e tem a solução, que ninguém sabe qual é… Na Califórnia eles voltaram atrás e votaram… por que será que lá funciona e aqui não?

    Aqui a única coisa útil que a maioria dos militantes (NÃO INCLUA OS MILITANTES SÉRIOS, NISSO!) fazem é aparecer, discussar e se jogar na festa.

    Pra mim a única coisa que o gay quer é a liberdade de dar muita pinta. E ponto! “Que se dane que sofre com isto, eu não sofro” – sempre me parece que é este o pensamento.

  8. hummm…eu não frequento paradas. Acho que ser gay não é um motivo suficientemente pitoresco para me tirar de casa com acessórios festivos e andar ao lado de outros gays por uma avenida ao som de músicas alegrosas. Não vejo o porquê de uma marcha dos sem perna direita, dos que gostam de carne mal passada, dos vegetarianos.
    Sei lá…

  9. Concordo! Eu procuro ao máximo fugir da mesmice. Mas é tipo caso Isabella se você não fala as pessoas reclamam

  10. Nunca fui na parada de São Paulo, por isso não deveria nem falar, mas parece-me que a maioria dos prós e dos contras que vejo, são em quase tudo idênticos a todos os prós e contras que já ouvi acerca de todas as outras paradas.

    Alguns hetero criticam, muitos gay criticam, outros apoiam e o que é engraçado é que há até gay militante, que apoia (e organiza) paradas pequenina, pequeninas como a de Lisboa (que não têm a miníma adesão dos gay) e critica a de Madrid (é bem grandinha para Europa), e que é civilissadissima.

    E criticam, não por ter trasvesti, não por ter pessoa anónima, não por ter criança, mas por ter muito gay musculado e por estar comercializada, dizem eles, totalmente apolitizada e rendida ao capitalismo. Em tudo, mas em tudo apenas, apenas vemos o que queremos ver.

    Lembram aquela velha figurinha da gestalt, em que podemos ou ver uma velha ou uma nova? Pois é em tudo apenas vemos os que queremos.

    Em Itália grande polémica, porque como seria de esperar do governo Berlusconi, este não quer dar apoio à parada e sabem qual é o argumento, apresentado por uma ministra que já foi modelo e até posou nua? As paradas gay pelos seus excessos ofendem quer os heterossexuais, quer os homossexuais respeitaveis e não contribuem em nada para a os direitos dos gay.

    Dá logo vontade de perguntar o que é ou não respeitável.

    A forma mais primária de homofobia é aquela que pretende tornar os gay e a homossexualiadade INVISÍVEIS. É uma forma de homofobia que tem séculos e séculos e provavelmente a mais violenta de todas, porque nega até a hipótese de existência.

    Podes ser homossexual, desde que não sejas visível. Foi por isso que Oscar Wilde foi condenado, e é a homofobia mais comum nas famílias: As familias não discriminam ASSUMIDAMENTE os filho gay, desde que estes não falem do assunto, não percebendo que a discriminação de negar a existência é igualmente violenta é igualmente uma agressão).

    Não sei como é a Parada de São Paulo, mas provavelmente reflectirá, como todas as outras paradas, a sociedadee e a cultura da cidade e do país onde é realizada. Os seus aspectos positivos e os seus aspectos negativos.

    haja paradas, cada vez mais, pelo direito à VISIBILIDADE pelo direito à EXISTÊNCIA , porque só se poderão exigir direitos, quando de facto a homossexualidade não for tabu e for encarada como uma questão de Direitos do Homem, que enquanto tal, diz respeito a todos os Homens.

    Os gay só têm uma coisa em comum entre eles, a sua orientação sexual, tudo o resto é diferente de grupo para grupo, tal como no resto da sociedade, mas até lá estão a ser discriminados nos seus direitos fundamentais, sejam de que tipo social forem.

    Boa Parada ;))
    PGFV
    http://poorguyfashionvictim.blogspot.com

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