Fui, vi e venci

– “É agoooraaaaaa!”
Minha nossa! Quando ela entrou no palco montado na Praça da República gritando com aquela voz tão emblemática, a multidão toda veio abaixo.

Silvetty Montila era-me uma ilustre desconhecida até a 8ª Feira GLBT, meu primeiro dia “de experiência” naquela que seria a semana-mais-gay de toda minha vida. Estava tinindo de vontade de vê-la no palco…

Antes disso, meu Deus, já havia feito uma porrada de fotos durante todo o dia, enchendo minha câmera com figuras arrebatadoras: uma turbulência de cores, brilhos, figurinos e gente muito boa que recebeu (merecidos) prêmios durante a tarde (se você ainda não leu, corra no site: www.revistadom.com.br).

E quando as moças (é…, as moças…) entraram fazendo aquelas performances todas, dançando e sacolejando lindamente, eu quase morri. De admiração. Quero porque quero aprender a fazer aquilo.

Daí veio o Gay Day no Playcenter. Uau! A última vez que fui àquele parque tem anos e anos. Mas vi que continuo a mesma: fui em um brinquedo perigosíssimo, que me pôs lá no alto, depois embaixo, depois no alto de novo. Quanta emoção! A roda gigante é mesmo demais… (hihihi!!!)

Adorei um cara que ficou o tempo todo no palco dançando com as flags. Bonito o menino, hein? E dá-lhe foto. Quero porque quero aprender a fazer aquilo também. À noite, mais Silvetty, mais fotos, mais moças dançando. Clima de parque de diversão, clima bom demais. Quem acha bobagem está bem enganado (falei e disse).

– “É agoooraaaaa!”

Ai, Meu Deus! É a Parada! Às 10h estávamos na Paulista: eu, particularmente, doidinha da silva, tentando controlar a bendita mão direita que insistia em clicar, clicar, clicar. Aaahhh, tô loooocaaaa!! hahahahaha…

Gente, foi demais. Eu fiz fotos de tudo o que pude (me prestigie lá no site, se não…): subi no primeiro carro, acompanhei a contagem regressiva atrás da Silvetty e na frente daquela multidão. Falem o que quiser: a coisa É emocionante. É, é e é. E ponto final. Vi gente “pós-graduada” em Parada Gay sentindo a mesma coisa.

E sabe o que eu fiz depois, maluca que sou? Andei a Parada INTEIRA (I-N-T-E-I-R-A) no contra-fluxo, fazendo foto de tudo e de todos, no chão e nos carros, até chegar no DÉCIMO NONO carro, o do Disponível.com, que tão gentilmente nos convidou. É, não estou sentindo os pés ainda; nem os ombros. Quem sabe no final de semana…! : P

Mas foi bancando a maluquinha que eu subi no carro da Marta Suplicy e perguntei: Qual é o DOM da Parada? Ao que ela respondeu: “É a manifestação do direito à cidadania e ao respeito, de um jeito gay: alegre e descontraído”. André Almada falou: “O DOM da Parada é a integração do público acima de tudo, livre de qualquer preconceito”.

Sabe o que eu acho? Acreditar na conquista do respeito, da integração, da liberdade, da cidadania e de tantas outras coisas, verdadeiramente, já é bastante significativo. ACREDITAR é um grande verbo. Falem o que quiserem da Parada: manifestação popular é isso mesmo. Está calcada em um misto de comportamentos, bons e ruins. Vi muita bebida e gente se drogando, igualzinho ao que vejo nas baladas. Mas a Parada traz riqueza e POSSIBILIDADE. A oportunidade de pôr o tema em pauta, de se fazer valer para o mundo, sem hipocrisia.

E quer saber? Valeu demais! Fui no contra-fluxo de 4 milhões de pessoas porque acreditei na força de tudo aquilo: na visibilidade, nas possibilidades, nas oportunidades, no agora. Deslumbre com consciência é sempre bem-vindo.

O que cada um levou para a Parada é da conta de cada um. Eu levei o meu melhor: uma mão frenética (na câmera), um olhar livre (de pré-conceitos) e um coração enorme e aberto (para o novo).

Fui, vi e venci.

Taís Lambert

6 Respostas to “Fui, vi e venci”

  1. Laio Realengo Says:

    Valeu! Você está virando nossa mulher maravilha. Beijos e continue com altos vôos.

  2. pedro paulo maia Says:

    imagino o quanto foi magico pra vc viver isso, que até pouco tempo nem sonhava que existia.

  3. A última foto tem foco ruim, está fora de quadro e tem luz excessiva, mas é linda.
    😉
    Afora o deslumbre, esse texto está bom (faltaram contrapontos). O site da DOM parece um projeto muito bem intencionado (isso é um perigo), um portal para notícias do nosso mundo sem querer adotar uma postura de “somos os mais antigos no ramo, temos o direito de querer ser carrancudos”. Vida longa, ossos fortes e sorrisos brilhantes, nos textos e nas fotos.
    😉

  4. Márcio Cleiton Says:

    Bem Vinda Ao Mundo! adorei seu comentarios!!

  5. Tatá,
    que essa sua luz, seu talento e esse seu jeito incrível de ser e de ver o mundo estejam sempre ON (e, claro, sempre bem perto de mim, todos os dias).
    Baci

  6. Paulo Cabral Says:

    Thais,

    Adorei ler este post. São argumentos bem emocionados para quem de fato viveu a parada, logo eles são muito convicentes.
    A Parada Gay de qquer lugar do mundo não foi criada para os bonitos. Ela foi criada para um fim social. Acho q quem julga a parada como desastrosa, não consegue ver que ela realmente está conseguindo chegar lá: um tamanho realmente muito importante, o tamano da massa, o tamanho mais popular possível!

    Beijos

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