Um sábado mágico

Sentir pela primeira vez a Semana do Orgulho GLBT bem de perto foi uma experiência única na minha vida. Foram noites cansativas com pouquíssimas horas de sono, uma correria impressionante por toda a cidade, toda a redação da DOM se ligando de tempos em tempos para sincronizar os horários e um mergulho em experiências incríveis e emocionantes.

Tá certo, na segunda-feira, o rostinho de acabado de todos na redação era evidente. Na terça-feira, acabei parando no hospital para tomar injeção porque minha musculatura travou completamente por conta do cansaço. Mas a dor era irrelevante. Cada lembrança dos cinco dias do feriado valeram por qualquer dorzinha incômoda.

Eu poderia passar horas e horas falando dos eventos que aconteceram durante a programação (as festas, as baladas, a feirinha, a parada…), que Jorge, Augusto e Tatá já falaram brilhantemente aqui no blog, mas me reservei para compartilhar um dia que, para mim, ficará para sempre na minha memória: o Gay Day.

Um sábado lindo de sol. Encontrei a redação da DOM na frente do parque por volta das 10 e meia da manhã (sendo que eu havia deitado na minha cama às 7 e meia da manhã, após a cobertura da Flexx, ou seja, quase não dormi). As bexigas coloridas à frente do parque e os rostinhos felizes e empolgados das pessoas que chegavam já denunciavam que seria um dia especial. E foi!

Na expressão das pessoas que brincaram o dia todo no parque transbordava a sensação de felicidade. Vi rostos exalando liberdade, sem medo, sem vergonha, sem preconceito. Pelos corredores do parque, homens andavam de mãos dadas, mulheres se abraçavam e se beijavam carinhosamente, grupos animadíssimos de gays corriam como crianças para chegar rápido às filas dos brinquedos.

No entanto, também haviam pais e mães com seus filhos, famílias grandes reúnidas no parque, crianças de colo. Durante a espera da fila do brinquedo Boomerang (aquela montanha-russa que vai de frente e volta de ré), eu e Valmir observamos uma senhora que acompanhava uma criança de uns 7 anos de idade no brinquedo. Valmir perguntou se ela sabia, antes de sair de casa, que era Gay Day e a mulher disse que não. Então ele perguntou o que ela estava achando disso, e sua resposta me deixou maravilhado. “Olha, eu estou com medo mesmo da montanha-russa. De resto, está ótimo”.

Sim, estava ótimo. As 8 mil pessoas que frequentaram o parque naquele dia saíram pelos portões com um sorriso de satisfação. Elas riram, se molharam no Waimea, ficaram tontas no Cataklisma, bagunçaram os cabelos no Turbo Drop e dançaram horas seguidas ao som dos DJs convidados.

O clima de descontração me emocionou. Sentei em determinado momento, sozinho, enquanto o pessoal ia para um brinquedo, e fiquei pensativo. Meus olhos lacrimejaram. Por que é tão difícil? Todas aquelas pessoas que estavam lá queriam apenas ser felizes. Elas querem ter suas vidas sem atrapalhar a dos outros. Então, por que, os outros querem barrar sua felicidade? Olhem de perto. É tudo tão simples, tão fácil, tão bonito. Será que um dia não precisaremos mais de um Gay Day e todos os dias serão nesse clima? A lágrima escorreu sem resposta. O pessoal percebeu que eu estava emocionado e apenas consegui dizer “é tão simples né…”.

Mesmo sem as respostas, sei que saí do parque com a sensação de alma lavada. As pessoas só querem ser felizes e isso não é pedir muito.

Mesmo descabelado, mesmo gritando como um louco e agindo como uma criança empolgada, precisei postar esse vídeo. Eu e Will, um curitibano muito especial que acompanhou a DOM por toda a cobertura dos eventos. Nos a-ca-ba-mos brincando no Chapéu Mexicano. Outro vídeo desse brinquedo, que tem o pessoal da DOM também, já coloquei em nosso site www.revistadom.com.br/noticias . Como eu disse, ser feliz, esse é o espírito. Simples. Fácil. Emocionante.

2 Respostas to “Um sábado mágico”

  1. Márcio Cleiton de Moraes Says:

    Engraçado, cliquei no link: Deixe um comentario, e estou sem palavras pra escrever! Vc conseguiu passar toda emoção, que pude eu sentir ao descer as escadas da estação SÉ em direção a Brigadeiro, Todos e Todas Gritando: Hey Hey Hey, Hoje o trem é Gay! Me Arrepiei todo e sem duvidas esse trecho vai pro meu orkut!

    …”O clima de descontração me emocionou. Sentei em determinado momento, sozinho, enquanto o pessoal ia para um brinquedo, e fiquei pensativo. Meus olhos lacrimejaram. Por que é tão difícil? Todas aquelas pessoas que estavam lá queriam apenas ser felizes. Elas querem ter suas vidas sem atrapalhar a dos outros. Então, por que, os outros querem barrar sua felicidade? Olhem de perto. É tudo tão simples, tão fácil, tão bonito. Será que um dia não precisaremos mais de um gay day e todos os dias serão nesse clima?”..

    Foi Tudo!

  2. Márcio Cleiton de Moraes Says:

    Ah esqueci de dizer Ao Ilustrucimo Paulinho Basile:
    Obrigado pela visita ao meu Orkut! Mesmo que sem recados!rsrsrsrs

    Fiquei super lisongeado!!!

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