O que é seu é meu. O que é meu é meu. E eu não dou e não quero dar!

Por Jorge Tarquini

Aqui na redação, nos chegam muitos relatos de todos os tipos. Mas há um, em particular, que tem se tornado recorrente e sempre chama minha atenção: “meu namorado, com quem vivi por mais de X anos, morreu e, agora, tenho de brigar com a família dele para lutar pelo que também é meu, pelo que o ajudei a construir”. Certamente, isso é muito injusto (e a aprovação da união civil, nesse campo, reparará algumas injustiças).

 

Na semana passada, porém, durante um almoço, o assunto surgiu. No meio da conversa, um dos presentes não deixa barato: “se o cara realmente quisesse proteger o parceiro e garantir alguma coisa, por que não fez nada em vida?”. Ele questionou a razão pela qual muitos gays, que viveram anos e mais anos com seus parceiros, nunca pensaram numa coisa simples: fazer do parceiro seu sócio, o que de cara garantiria 50% dos bens, e usando o direito que lhe cabe pela lei, de deixar 50% de tudo o que possui para quem bem entender. Assim, o viúvo teria 75% dos bens na falta do outro.

 

Não que ali estivéssemos contra a união civil, mas o questionamento que tomou conta da mesa era apenas POR QUE NÃO SE FEZ ISSO EM VIDA, RESOLVER ESSA PENDENGA, DEIXANDO QUE O COMPANHEIRO TENHA DE BRIGAR COM PESSOAS QUE ELE MUITAS VEZES MAL CONHECE DEPOIS DE ENVIUVAR? Vai ver que, no fundo, era exatamente isso que ele tinha em mente. Afinal, o “rico” já fez sua parte, “sustentando” o companheiro por muito tempo, dando a ele aquilo que, por conta própria, ele não conseguiria. Depois de morrer, o companheiro que se dane.

 

Claro que muitas outras questões entram nesse caldeirão fervente das posses. Porém, não podemos apenas eliminar essa possibilidade…

4 Respostas to “O que é seu é meu. O que é meu é meu. E eu não dou e não quero dar!”

  1. pedro paulo maia Says:

    ah eu acho que ninguem espera a morte, todo mundo sabe que vai acontecer mas niguem pensa nisso. na maioria dos casos as pessoas apenass vivem e esquecem do resto.

  2. acho que penso como vc, exsitem formas de contornara a lei para se proteger quem amamos! mas mesmo assim devemos lutar pelo que é de direito e pelo reconhecimento de nosso amor!
    abs

  3. Laio Realengo Says:

    Uma boa matéria para DOM, como proteger o parceiro enquanto a União Civil não vem? Francamente, tem uma frase que diz que o homem é imortal até pensar na morte. E pelo que sei o brasileiro não é muito fã de fazer testamento. Para dizer a verdade poucos conhecem seus direitos e deveres imaginem leis.

  4. Acreidto que ninguem deve construir uma vida confiando no “dinheiro” dos outros.
    Creio uma das coisas que diferenciam um relecaionamento hetero de um relacionamento gay é a independencia. Ambos são homens, crescidos, e trabalham ( ou é o que deveria acontecer ). Essa historia de um sustentar o outro é literalmente ridícula, nem em relacionamento hetero isso existe mais.
    Sempre que estou com alguem, não abro mão de uma coisinha chamada “independencia”. Tenho minhas despesas e consequentemente tenho meu trabalho para arcar com as mesmas. Não que eu nunca pague nada para meu parceiro – também não é pra ser mão de vaca- mas, não deixo que ele seja responsavel pelos meus gatos e nem eu pelso deles.
    Acho que é isso…
    O que é seu é meu… o que é meu é seu… mas, até chegar a linha de limite camaada INDEPENDENCIA.

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