Entre família

Era uma vez um moço que, aos 30 anos, foi pai pela primeira vez. Assemelhava-se ao Homer Simpson quando passava óleo Lisa no nariz de sua primogênita quando estava com gripe, ou quando estrategicamente guardava o leite de magnésia embaixo da pia, vez ou outra, para uma ou duas colheradas-surpresa.Ganhou, dos amigos da filha, o apelido de McGiver quando aprendeu a costurar para produzir – com suas próprias mãos – o toldo do trailler em que acampavam, também quando arrumava de graça e com prazer os walk-machines e mobiletes quebrados da galera, ou quando criava uma barraca super-mega divertida pendurada no balanço.

Ainda nessa época, causava comoção geral na platéia (crianças na piscina) ao surpreendê-los andando na garupa da sua própria Caloi Dobrável, dando uma considerável forcinha para a filhota ganhar o campeonato de segurar fôlego debaixo d’água (melhor maneira de se esconder, aprendeu com 007).

Da família, ganhou o apelido de Prof. Pardal, provavelmente quando construiu um amplificador sozinho. Dos amigos, veio Barba, Bigode, Cozinheiro – apesar de já ter feito churras de Patinho regado à desodorante – Italiano, Basilão.

Gritão, bravo muitas vezes, mas muito atencioso. Humano, cuidou de sua mãe e irmã como ninguém o faria. Lutou pela sua família ser completa, mesmo não sendo totalmente de seu sangue. Mais tarde, aceitou as diferenças desses filhos – também – como ninguém o faria.

Cuidou dos amigos como se cuidasse de sua Caravan 4 portas. Conseguiu, com 56 anos, ótimo emprego, pela sua família. Em 30 anos, amou e nunca desonrou sua companheira.

Sempre aceitou e encarou os problemas e desavenças da vida de cabeça erguida, continuará fazendo isto. Ensinou os filhos a andar de bicicleta, a dirigir, a ter coragem, a priorizar a honestidade e a lutar por uma vida melhor.

Fazia drinks fictícios de groselha na piscina de plástico, furava a orelha da pirralhada com agulha, puxava os dentes moles com seu alicate, corria pro médico quando a filha sem noção fazia das suas, como da vez em que ela quis engolir uma abelha e só conseguiu ser picada por ela na garganta.

Esse é o papis, de quem eu não poderia ter mais orgulho.

TE AMO!

*Texto de Thais Basile, minha irmã, em homenagem a nosso pai, João Basile, alguns anos atrás. Tudo bem, dia dos pais já passou, mas quis compartilhar esse texto da minha irmã com vocês, que só não se tornou jornalista porque não quis, afinal palavras para tal essa desde pequena teve.

8 Respostas to “Entre família”

  1. simplesmente perfeito e contemporaneo, adorei mesmo!
    dia dos pais passou, mas o texto é mto bom!!!!
    parabens pra ela!!!
    beijos

  2. pedro paulo maia Says:

    mto legal.

  3. Rodolfo Lima Says:

    ela também é ariana?
    huahauahauahauahu
    ainda bem que a familia é bemmm modesta.

    obs: o pai realmente parece legal

  4. Fábio Cândido Says:

    Saindo fora do assunto… Alguém da redação sabe dizer o que ouve com a “Promoção Onde Andará Dulce Veiga?” não recebi ingresso nenhum, nem fui notificado de erro no endereço ou coisa parecida…

  5. O espaço e o momento me permitem escrever algo a partir da leitura do post do Paulo Basile. Primeiramente, devo dizer que não chorei, mas me emocionei ao terminar de ler o texto postado pelo nosso companheiro da revista Dom, e também dizer que uma das coisas que mais invejo e admiro é uma pessoa falar bem do seu pai. A auto-estima de uma pessoa está diretamente relacionada à intensidade do amor que recebe dos seus pais. Uma pessoa amada por seus pais sai, para a “estrada da vida”, com uma vantagem bem grande. Infelizmente, sou destes que não podem escrever palavras de elogio ao pai. O meu foi uma pessoa que não me amou, que não me respeitou, que não me aceitou. Era extremamente machista, autoritário, conservador e turrão. Que eu me lembre, jamais me deu um beijo, jamais me deu um abraço, jamais me deu um presente, jamais me elogiou por algo, jamais me consolou e haja “jamais”, mas, sempre que pôde, me criticou. Não. Não fui um mau filho. Tenho certeza de que não. Um mau filho não passa dia e noite no hospital com um pai que não o ama e eu fiz isto, ainda que tudo tenha sido puro formalismo, mas confesso que, na minha cabeça, às vezes, passava a possibilidade de, naquele quarto de hospital, ele me dizer alguma coisa que pudesse me fazer sentir a sensação de ter um pai, pois, esta sensação, nunca a experimentei. Em vão. Ao final, me agradeceu burocraticamente e ainda fez questão de me acusar de não amá-lo, quando me neguei a comprar cigarros para ele. Ele quis me moldar ao seu gosto, ele quis que eu seguisse sua “cartilha”, mas minha personalidade não aceitou e, então, ele resolveu me ignorar e, até certo ponto, me perseguir. Ele funcionava na base do “Ou pense como eu ou será meu desafeto”. Para ele, não existia o meio termo. Deve ser muito difícil para quem tem o amor de um pai entender minhas palavras, mas esta foi a realidade e esta é a verdade. Curiosamente, existo por causa dele, pois minha mãe queria parar de ter filhos, porém ele insistiu por mais um e, então, eu nasci. Será que ele se arrependeu? Não passava por sua cabeça inflexível que um filho pudesse discordar dele, pois, para ele, era este o axioma: “Pai manda e filho obedece”. Morreu há três anos. Devo dizer que não sofri. Tenho a consciência tranqüila porque nunca o desafiei e nunca quis discussão sem motivo. Ele é que criava as situações de embate. Ele que criava batalhas para, ao final, se firmar como vencedor. Nossas discordâncias se davam porque eu pensava muito diferente dele. E ainda por cima ele não aceitava minha homossexualidade. Quando eu ainda era adolescente, me empurrou no chão e disse para eu virar homem. Luto para superar os entraves emocionais que minha péssima relação com ele provocou. Foram estragos imensos. Felizes os que tiveram ou que têm pais que os amam e que suas memórias querem cultuar. O meu eu quero esquecer.

  6. Israel (moderador "Revista Dom'') Says:

    Que demora é essa pra Dom chegar aqui em Fortaleza,hein?

  7. Israel (moderador "Revista Dom'') Says:

    Eu não tenho pai,gente.Só o do céu

  8. Biel Guti Says:

    dministram essa situação. Saber ouvir e respeitar a opinião alheia são mais que cruciais no convívio pais-filhos e saber se fazer entender sem imposição é tão crucial quanto ter este respeito. Em geral caímos naquela tese Quando se trata de relacionamento com pais tudo parece fácil em teoria embora na prática infelizmente tudo se agrave de maneira singular. Não são raras as vezes em que vemos pais reclamando de filhos… “ah, meu pai nunca me deixa fazer nada”… “queria ter um pai como o seu, o meu é muito chato” ou mesmo pais que reclamam dos filhos “não sei mais o que fazer com meu filho ele não me respeita”… e por ai vai. Lógico, isso é comum em qualquer relacionamento racional, afinal diferenças de opiniões nunca deixarão de existir, o diferencial está na forma com que as pessoas ade que todo filho ama seus pais e todos pais amam seus filhos… parece algo dedutivamente lógico já que estes compartilham laços sanguíneos, contudo vemos através de diversos exemplos que nem tudo acontece assim. Filhos com convívio nada social com um dos pais (ou as vezes até com os dois) é mais comum do que a “mente cristã” ousa apontar. Não cabe a nós discutir os agravantes pois não somos juízes da razão e tão pouco sabemos os motivos que levam a esse desentendimento em cada caso, no entanto vale resaltar que inscoscientemente… naqueles pontos profundos do coração em que alguns se deixam tocar, todos esperam amar e serem amados de maneira satisfatória… com carinho… com calor.
    Perdi meus pais muito cedo e adquiri uma responsabilidade forçada que particularmente eu nem pensava estar pronto pra ter, talvez isso me leve a admirar tanto filhos que honram e homenageiam os pais mesmo sendo de formas tão sutis como a postada.

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