Na fila sem Madonna

Capítulo 3

Acordei na casa de meu amigo sabendo que seria a última noite dormida no conforto de uma cama. As próximas noites seriam de muito frio, chão duro e o barulho ensurdecedor da Marginal . Tomamos um caprichado café-da-manhã preparado pela mãe de Driko, colocando o restante de torta e salgadinhos na mala e rumamos ao Credicard Hall. Desta vez, descemos no metrô Ana Rosa e pegamos o ônibus que eu pego todos os dias para ir trabalhar (agora eu havia aprendido!). No ônibus, extremamente lotado, descobrimos que teríamos que descer do outro lado da Marginal Pinheiro. Mas nada que mais um ônibus e a integração do bilhete único não pudesse nos ajudar.

Desembarcamos no Credicard Hall por volta das 13h30, aparentemente vazio. Falei “oi” para o chefe da segurança que eu conhecera na noite anterior e nos direcionamos para a tenda montada no estacionamento. Ninguém estava lá, mais uma vez. Colocamos as malas na gande das futuras bilheterias e sentamos no chão. Dez minutos se passaram e nada. Vinte minutos. Meia hora. Nada!

“Vamos montar a barraca?”. Encontramos uma maneira de passar o tempo e o frio aterrorizante que estava naquela tarde. Mas confesso: não foi tão fácil assim. Muitos e muitos minutos de paciência foram precisos. Muitas risadas e olhadas no manual e conseguimos montar a barraca. Entramos nela para nos protegermos do frio.

Dez minutos. Meia Hora. 1 hora. Nem sinal de vida de mais pessoas. Resolvi dar uma volta no Credicard. Parado, olhando o trânsito da Marginal, percebi uma movimentação em um dos portões. Um homem chegava com diversas malas, sendo auxiliado por um casal. Associei malas + portão de entrada do Credicard = acampamento! “Vocês vieram para acampar na fila dos ingressos da Madonna?”. Fiquei muito feliz com a resposta positiva das pessoas. “Me acompanhem, o acampamento está sendo formado ali dentro. Meu nome é Paulo, sou o 1º da fila”. “Ahhh, então você é o Paulinho, da comunidade da Madonna?!”. Pois é, muitas pessoas já sabiam de minha existência, tal tinha sido o tumulto de minhas mensagens na noite anterior.

Nos apresentemos. Um dos homens, o primeiro a chegar com as malas, tinha por volta de 30 anos, era de Santos e apresentava uma pinta de malandro e jeito de “arranjo encrencas facilmente”. O casal iria emprestar sua barraca para ele. Além deles, um outro homem, com um jeito bastante simpático e sociável, me disse que estava sentado na Marginal desde o começo da manhã e iria se juntar ao grupo. Pouco tempo depois, outros dois meninos chegaram, dois primos, muito simpáticos. Além deles, mais um menino, com uma mala pequena e um sorrisão no rosto, vindo diretamente de Lindóia, cidadezinha divisa com Minas, e uma menina, que não iria ficar naquela noite, mas que estava disposta a entrar na brincadeira. O acampamento enfim começava a se formar.

6 Respostas to “Na fila sem Madonna”

  1. Caro “eu”, simplesmente não vejo nada nos seus comentários além de uma tentativa de chamar atenção para si falando mal de outras pessoas, em vez de fazer isso mostrando que tem alguma coisa realmente interessante para oferecer.
    Falando em chamar atenção, parabéns por ter conseguido fãs, deve ser de fato uma grande conquista para alguém que se mostra tão egocêntrico. Espero que fãs possam contribuir para aumentar sua auto-estima (provavelmente muito baixa pelo tamanho da inveja que vem demonstrando).
    E sinto muito pela decepção tremenda de não receber respostas do autor do texto. Tenho a certeza de que você realmente merece algum retorno depois de mostrar tanto respeito e consideração. Independente de sua opinião sobre os textos, ser educado é o mínimo que você poderia fazer . Provavelmente haverá resposta a um comentário seu quando houver também para aqueles que elogiam. Por favor, não se sinta mal se você é só mais um que não recebe respostas.
    Acredito que todos os leitores que “defendem” o Basile entendem que o texto não tem a pretensão de discutir as mazelas do mundo gay, e sim divertir e entreter, até porque esse blog existe para isso, contar o que acontece com as pessoas que trabalham na redação da revista e, pelo que eu vejo, desempenha bem essa função.
    Agora, por favor, vá se ocupar com sua própria vida meu querido, quem sabe não consegue melhorar sua vida social e pára de depender de fãs virtuais? Invista seu tempo e sua energia em coisas produtivas, e isso definitivamente não inclui demonstrações de recalque online.

    PS: Continuo esperando por um de seus textos ma-ra-vi-lho-sos, com “conteúdo” e temática “séria”. Quando vai revelar alguma maneira de encontrar suas obras-primas?

  2. Laio Realengo Says:

    E aconteceu uma rabada de cabelo no eu.

    Adoro briga bate cabelo.

  3. EITAAAAAAAA Q TAH XEGANDO O DIA DO VDD E DESAFIO!

  4. adoroooooooooooooo ansioso pro prox capitulo

  5. Eu tb acho que transformar a compra de ingressos para o show da Madonna em um sacrificio pela humanidade algo futil e bobo. Eu nao entendo pq alguns gays tem obsessao por cantoras divas. Eu concordo, isso e cansativo sim. Parece uma ditadura de comportamento, todos os gays gostam de Madonna? Parece uma tentativa de criar um cultura de massa gay, de identificar o individual por compotamentos coletivos.

  6. Estou adorando a saga, me divertindo demais com seus textos!!!!!!
    Agora o que enche mesmo são esses anônimos que ficam xingando o Paulo Basile.Acho engraçado que o eu13 ai emcima diz “está criando uma saga desnecessária sobre um assunto que ninguém quer ler sobre”. Se ninguém quer ler siobre o assuto, porque vces leem e ainda comentam? controverso, nao? ficaadica tbm!
    Mas Basile, você está certo em nçao dar atençao pra eles, nao de audiencia pra quem naoo merece

    abraço

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